DOENÇA DE CHAGAS
Sinônimo: Tripanossomíase Americana
O que é?
É uma doença infecciosa causada por um protozoário parasita chamado Trypanosoma cruzi, nome dado por seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas, em homenagem a outro cientista, também, brasileiro, Oswaldo Cruz.
Como se adquire?
Através da entrada do Trypanosoma no sangue dos humanos a partir do ferimento da “picada” por triatomas, os populares barbeiros ou chupões, como são conhecidos no interior do Brasil.
Estes triatomas, ou barbeiros, alimentam-se de sangue e contaminam-se com o parasita quando sugam sangue de animais mamíferos infectados, que são os reservatórios naturais (bovinos, por exemplo) ou mesmo outros humanos contaminados. Uma vez no tubo digestivo do barbeiro, o parasita é eliminado nas fezes junto ao ponto da “picada”, quando sugam o sangue dos humanos que por aí infectam-se.
Outras formas de contato ocorre na vida intra-uterina por meio de gestantes contaminadas, de transfusões sanguíneas ou acidentes com instrumentos de punção em laboratórios por profissionais da saúde, estas duas últimas bem mais raras.
O que se sente?
A doença possui uma fase aguda e outra crônica. No local da picada pelo “vetor” (agente que transmita a doença, no caso, o barbeiro), a área torna-se vermelha e endurecida, constituindo o chamado chagoma, nome dado à lesão causada pela entrada do Trypanosoma. Quando esta lesão ocorre próxima aos olhos, leva o nome de sinal de Romaña. O chagoma acompanha-se em geral de íngua próxima à região.
Após um período de incubação (período sem sintomas) variável, mas de não menos que uma semana, ocorre febre, ínguas por todo o corpo, inchaço do fígado e do baço e um vermelhidão no corpo semelhante a uma alergia e que dura pouco tempo. Nesta fase, nos casos mais graves, pode ocorrer inflamação do coração com alterações do eletrocardiograma e número de batimentos por minuto aumentado. Ainda nos casos mais graves, pode ocorrer sintomas de inflamação das camadas de proteção do cérebro (meningite) e inflamação do cérebro (encefalite). Os casos fatais são raros, mas, quando ocorrem, são nesta fase em decorrência da inflamação do coração ou do cérebro. Mesmo sem tratamento, a doença fica mais branda e os sintomas desaparecem após algumas semanas ou meses. A pessoa contaminada pode permanecer muitos anos ou mesmo o resto da vida sem sintomas, aparecendo que está contaminada apenas em testes de laboratório. A detecção do parasita no sangue, ao contrário da fase aguda, torna-se agora bem mais difícil, embora a presença de anticorpos contra o parasita ainda continue elevada, denotando infecção em atividade.
Na fase crônica da doença, as manifestações são de doença do músculo do coração, ou seja, batimentos cardíacos descompassados (arritmias), perda da capacidade de “bombeamento” do coração, progressivamente, até causar desmaios, podendo evoluir para arritmias cardíacas fatais. O coração pode aumentar bastante, tornando inviável seu funcionamento. Outras manifestações desta fase podem ser o aumento do esôfago e do intestino grosso, causando dificuldades de deglutição, engasgos e pneumonias por aspiração e constipação crônica e dor abdominal.
Mais recentemente, a associação de doença de Chagas com AIDS ou outros estados de imunossupressão tem mostrado formas de reagudização grave que se desconhecia até então, como o desenvolvimento de quadros neurológicos relacionados à inflamação das camadas que revestem o cérebro (meningite).
Como se faz o diagnóstico?
Sempre se deve levantar a suspeita quando estamos diante de um indivíduo que andou por zona endêmica e apresenta sintomas compatíveis. Testes de detecção de anticorpos ao Trypanosoma no sangue mais comumente, bem como a detecção do próprio parasita no sangue, nas fases mais agudas, fazem o diagnóstico.
Como se trata?
A medicação utilizada, no nosso meio, é o benzonidazole, que é muito tóxico, sobretudo pelo tempo de tratamento, que pode durar de três a quatro meses. Seu uso é de comprovado benefício na fase aguda. Na fase crônica, o tratamento é dirigido às manifestações. A diminuição da capacidade de trabalho do coração é tratada como na insuficência deste órgão por outras causas, podendo, em alguns casos, impor até a necessidade de transplante.
Como se previne?
Basicamente, pela eliminação do vetor, o barbeiro, por meio de medidas que tornem menos propício o convívio deste próximo aos humanos, como a construção de melhores habitações.
NOTA: a recente forma de contaminação desta doença, no litoral do estado de Santa Catarina, por ingestão de caldo-de-cana contaminado com fezes de barbeiro ou pelo próprio inseto, constitui-se maneira pouco comum, embora possível, de contágio. Além do que encontra-se em fase de investigação, não sendo possível afirmar, pelo que foi divulgado de informações, todas as circunstâncias dos fatos ocorridos.
"Quanto à trypanozomíase americana nada custará erradical-a das zonas extensas onde é endemica, uma vez que tudo ahi depende da providência elementar de melhorar a residencia humana e não mais consentir que o nosso camponez tenha como abrigo a cafúa primitiva, infestada pelo insecto que lhe suga o sangue e lhe injecta o parazito, cafúa às vezes imprestável como habitação de suinos e de todo incompatível com a civilização de um povo".
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Doença de Chagas |
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O Maior transmissor da doença de chagas no Brasil tem um nome pomposo: Triatoma, mas é vulgarmente conhecido por várias alcunhas, como bicho-de-parede, bicho-de-frade, gaudério, procotó, rondão, chupança e barbeiro.
Uma descrição sucinta do Triatoma diria que é um inseto com perto de 2 centímetros de comprimento, asas achatadas, largas e listradas nas bordas, não muito diferente de uma barata doméstica comum, mas com um ferrão comprido. Ao contrário da barata, porém, é hematófago, ou seja, alimenta-se de sangue. E sua ação devastadora tem causado anualmente milhares de mortes em toda a America Latina, desde o norte do México até o centro do Chile e da Argentina.
Este bicho assassino tem hábitos altamente suspeitos. Durante o dia, esconde-se no madeirame e nas frestas das paredes de barro de casebres e choças de pau-a-pique. De noite, valendo-se da escuridão, sai de seu esconderijo e vai picar os moradores que se encontram dormindo. O pior de tudo é que, além de chupar o sangue das pessoas, defeca, também, ao mesmo tempo. E é pelas fezes que transmite a doença de Chagas.
O nome científico da doença de Chagas é Tripanossomíase americana ou brasileira, porque seu causador é um micróbio chamado Trypanosoma cruzi. Este germe vive naturalmente no sangue de alguns animais (principalmente no cão, no gato e nos roedores em geral). Ao sugar o sangue de um desses animais infectados, o "barbeiro" contamina-se com o micróbio e aloja-o em seu intestino. Mais tarde, ao picar uma pessoa e defecar junto à picada ele passa o germe para o homem. A doença de Chagas, portanto, raramente é transmitida de modo direto de pessoa para pessoa, ou de qualquer animal para um ser humano - quase sempre é preciso que exista um "barbeiro" que sirva de agente intermediário.
Como e Onde Age o Trypanossoma cruzi
A picada do "barbeiro": costuma provocar coceira; fora este comichão, é completamente inofensiva. O perigo todo está nas fezes que deposita - são elas que estão carregadas de tripanossomos.
O Trypanossoma cruzi é um protozoário flagelado, capaz de mudar de forma de acôrdo com o ambiente em que se encontra. Essas mudanças são acompanhadas de profundas alterações em suas características biológicas, virulência e capacidade de adaptar-se aos vários meios em que sobrevive. No sangue ele se apresenta sempre sob a forma de tripanossomo, ou seja, de microorganismo unicelular com um flagelo (que server para seu deslocamento), corpo alongado e curvo, afilando-se nas extremidades. Passando, porém, do sangue para as células dos tecidos, adota a forma de leishmânia, ou seja torná-se ovóide e perde o flagelo. Nessa forma simples, cresce e se reproduz com rapidez, inundando a célula invadida. Multiplica-se a ponto de destruir a célula e, rompendo-a, retorna à corrente sangüínea. De volta ao sangue, o parasita reassume a forma de tripanossomo e espalha-se por todo o organismo, assaltando novas células em qualquer parte do corpo, mas de preferência as fibras musculares e, muito particularmente, os músculos cardíacos.
A partir daí o ciclo se repete indefinidamente. Dentro das células dos tecidos, os minúsculos ovóides aflagelados multiplicam-se intensamente, destruindo as hospedeiras; fora delas, retomam a forma flagelada e emigram novamente. de maneira geral, a forma flagelada seve unicamente à locomoção e migração do parasita (é assim que ele aparece nas fezes do "barbeiro"), enquanto a sua forma aflagelada assegura sua permanência e reprodução, causa dos danos e lesões características da doença de Chagas.
Multiplicando-se no coração, por exemplo, os parasitas ocupam o maior eixo do músculo, formando grandes aglomerados, verdadeiros ninhos. A lesão predominante é sobre o miocárdio, mas são atingidos também, embora menos intensamente, o pericárcio, o endocárdio e as arteríolas coronárias. Nas fibras musculares, eles destroem a disposição em camadas, que é a principal característica das fibras normais.
Além do coração e dos músculos, o parasita causa lesões também no fígado, no sistema nervoso (encefalites, mielites, etc.), e nos gânglios linfáticos. No sistema sagüíneo, provoca uma linfocitose precoce e persistente.
Sintomas e Perigos
A doença de Chagas só se manifesta de dez a vinte anos depois que o paciente a contraiu. O pior de tudo é que a doença se introduz de maneira insidiosa nos seres humanos. Em 1912, logo depois de ter identificado o Trypanosoma cruzi, Carlos Chagas notou que outro inseto semelhante, apenas um pouco mais avantajado, o Panstrogylus geniculatus, que vivia em tocas de tatus, também era hospedeiro e transmissor do parasita. Estudos revelam a existência de pelo menos 31 espécies diferentes de "barbeiros" (triatomídeos) parasitados pelo Trypanosoma. Além disso, verificou-se que o germe pode introduzir-se no organismo humano por duas vias principais. Sempre depositado na pele com as fezes do "barbeiro", infecta sem dificuldade o local da picada, pasando para o sangue; mas também penetra com facilidade em qualquer mucosa (Bôca e conuntiva dos olho, principalmente).
Se uma pessoa, picada pelo "barbeiro", durante o sono coçar o local picado e depois passar os dedos infectados sobre os olhos, dias após estará com a conjuntiva inflamada, as pálpebras inchadas e ponto de não poder abri-las. Semanas mais tarde deverão surgir outros sintomas de infecção: febre, mal-estar, fraqueza, palpitações e cansaço generealizado. Essas são as queixas típicas dos chagásicos.
Neste ponto, diz-se que a doença está em sua forma aguda e poderá matar o paciente em conseqüência de uma inflamação difusa e intensa do coração (miocardite). Mas também é possível que os sintomas regridam espontâneamente. E a regressão pode durar semanas, meses ou até anos sem qualquer outra manifestação, tomando a moléstia sua forma crônica. Em geral, porém, passado o período de cura aparente, surgem as manifestaçãoes da cardiopatia chagásica - pressão baixa, taquicardia ou braquicardia, tontiras, falta de ar, inchaço nas pernas - e o paciente tem seus dias de vida contados: de forma geral não ultrapassa os cinquenta anos de idade, podendo morrer súbita ou lentamente.
Diagnóstico e Prevenção
Os principais meios para o diagnóstico da doença de Chagas em sua forma aguda é o exame microscópico de uma gôta de sangue do paciente, para a eventual identificação do Trypanosoma, ou a biopsia de um gânglio linfático. Na forma crônica, porém, os parasitos tornam-se raros na correte sangüínea e, então, o diagnóstico deve basear-se em método indireto: verifica-se se o organismo está produzindo anticorpos contra o Trypanosoma cruzi. Para isso faz-se uma prova imunológica com o soro sangüíneo do doente, denominada "reação de fixação do complemento para a doença de Chagas" ou "reação de Guerreiro e Machado", ou de "Machado Guerreiro" como é mais comumente conhecida.
Até agora a doença de Chagas não tem cura científicamente reconhecida. Enquanto os pesquisadores não descobrem um remédio eficaz, o combate à doença tem que se limitar à sua prevenção. E até agora o método profilático mais prático tem sido o combate sistemático ao "barbeiro". Para isso, equipes especializadas percorrem as regiões infestadas, visitando o maior número possível de casas de barro e pau-a-pique, tratando-as com doses maciças de inseticida. Evidentemente, a doença de Chagas é, além da moléstia terrível, consequência da miséria social, porque ataca sobretudo as camadas mais desamparadas da população, aquelas que por sua pobreza são obrigados a viver em choças, em condições subhumanas.
Mas nem tudo deve ser encarado com pessimismo. O alarma contra a doença de Chagas já encontrou eco em todas as partes do mundo. Novos medicamentos acham-se em observação; alguns com resultados mais positivos na forma agudada moléstia.
Quando Foi Descoberta a Doença de Chagas
Em 1907, Oswaldo Cruz, então diretor do Instituto Manguinhos do Rio de Janeiro, enviou o jovem médico mineiro Carlos Chagas para o norte de seu Estado, a fim de combater uma epidemia de malária que vinha grassando entre os trabalhadores da construção da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Utilizando um vagão como laboratório, Carlos Chagas não se limitou a combater a malária. Em pesquisas pela região, examinou o Triatoma megistus e enviou alguns exemplares ao Instituto Manguinhos. Os sagüis, picados pelos isetos, apresentaram em seu sangue periférico a presença de numerosos tripanossomos desconhecidos e que, em homenagem a Osvaldo Cruz, receberam o nome de Trypanosoma cruzi.
A
doença de Chagas é muito importante no Brasil, atingindo cerca de 5 milhões de
pessoas e ocasionando muitas mortes e sofrimento entre elas. Descoberta em 1909
pelo genial cientista brasileiro CARLOS CHAGAS, esta doença deve merecer atenção
especial do Governo e dos segmentos da população pois, embora seja difícil sua
cura, ela pode e deve ser prevenida, evitando-se que as novas gerações se
contaminem. Neste sentido, além da ação específica do Governo, através da SUCAM,
o controle da doença vai depender - e muito - da participação e da organização
da comunidade em torno de seus problemas sociais, políticos e econômicos. Nesta
época em que se fala da construção de Sistema Unificado de Saúde todos devemos
nos articular, compartilhar experiências, buscar soluções. Sabemos que podemos
controlar a doença de Chagas, desde que tenhamos determinação e prioridade
política em faze-lo.
Em
boa hora a SUCAM resolveu reeditar este trabalho, a partir de um "Suplemento
Pedagógico" que o Governo de Minas Gerais produziu em 1979, ano do Centenário de
nascimento de Carlos Chagas. Informações, sugestões de trabalho e material de
pesquisa deverão por todo o Brasil, num exercício comum e circular vivenciado de
ações integradas de saúde. De resto, como sonhou um dia CARLOS CHAGAS, nosso
exemplo maior.
Divisão de Doença
de Chagas (DIDOCh)
SUCAM - Ministério da Saúde - Anexo A - Sala 310
Em 1907, eis Carlos Chagas no vale do Rio das Velhas , no lugarejo histórico de Lassance, cumprindo o seu rigoroso programa de luta antipalúdica que o mais perfeito sucesso viria coroar. A sua casa e o seu laboratório eram apenas um vagão de estrada de ferro... Distante da família, longe do conforto, em que se criara, lutava frente a frente contra o terrível mal, porfiando com inexcedível zelo na preservação da saúde dos obreiros por cuja vida os responsabilizara. Movido por nobilíssimo sentimento de compaixão humana, ia sempre muito além do que lhe exigiam as obrigações da rotina profilática. Percorria aquelas paragens desoladas, levando a incontáveis vítimas de muitos males o remédio salvador e a palavra amiga, guiado seu cérebro privilegiado de pesquisador pelos impulsos generosos de seu coração de médico: Sou daqueles que votam à profissão do médico o mais extremado amor, confessou, de uma feita, em explosão de profunda sinceridade.
Como pesquisador,
teve a atenção despertada ao mais alto grau por um inseto de grandes, proporções
denominado barbeiro, que em pouco verificava ser hóspede indispensável
das rústicas cafuas de barro da região. E, ainda mais, o estranho inseto era
insaciável sugador de sangue humano...Muitas vezes maior que os mosquitos - que
lhe eram tão familiares - o novo hematófago só de si devia constituir sério
fator anemiante, tanto pelo seu tamanho descomunal como pelas enormes
quantidades em que pululava nos casebres primitivos.
Não
se contentou chagas em perquirir-lhe os hábitos e a evolução, que se lhe
afiguravam curiosíssimos. Foi além, e maiores surpresas lhe estavam reservadas.
Examinou ao microscópio o organismo do barbeiro, e eis que, no seu intestino,
surpreendeu micróbios ativíssimos, que logo reconheceu como da família dos
Tripanosomas. Estava então o pesquisador em segura pista para descobrir mais
um inimigo da humanidade, em criminosa cumplicidade com um inseto de bela
aparência e de aspecto inofensivo. Aquele inseto devia ser o transmissor de uma
nova doença, de uma nova tripanosomíase: esta convicção imediatamente assaltou a
mente do sábio afeito aos mistérios da natureza e aos segredos da vida em
constante peleja com a morte.
O primeiro passo a ser dado era a verificação do poder patogênico do novo microorganismo não dispondo de animais de laboratório em Lassance, enviou Chagas ao Instituto de Manguinhos, ao Dr. Oswaldo Cruz, um punhado daqueles cautelosos habitantes das cafuas, que, na calada da noite, saiam das paredes para assaltar o sertanejo ressonante.
Em pouco tempo ali haveria de comprovar-se a virulência do protozoário, ao serem observados tripanosomas no sangue de um mico, dias antes exposto ao apetite sanguinário dos barbeiros vindos de Minas. Era este um outro grande passo, agora dado no laboratório, na conquista da verdade. Em breve ficava perfeitamente provado que o micróbio do barbeiro era um tripanosoma patogênico, de aspecto diferente dos demais tripanosomas conhecidos... Muitos animais - micos, cobaias, cães etc.- adoeceram e sucumbiram em Manguinhos, ao serem inoculados com o novo micróbio, que Chagas denominou Schizotrypanum cruzi em comovedora homenagem ao seu grande mestre, o Dr. Oswaldo Cruz.
SINAIS E SINTOMAS INICIAIS
Os
sinais da doença de Chagas se produzem no próprio lugar onde se deu a
contaminação pelas fezes do inseto. Estes sinais surgem mais ou menos de 4 a 6
dias após o contato do barbeiro com a sua vítima. Os tripanosomas eliminados
pelo barbeiro, introduzindo-se nos tecidos da região, aí determinam uma
inflamação que marca a "porta de entrada" da doença. Daí a freqüência do "olho
inchado" nas zonas de "barbeiro", sinal inconstante da moléstia, pois só aparece
quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele. Quando ao nível da pele
(geralmente nos braços, pernas ou rosto), a lesão inicial pode assemelhar-se a
um furúnculo ou a uma mancha avermelhada quase sempre dolorosa, mas que não vem
a purgar. Essas lesões iniciais quase sempre se fazem acompanhar de "ínguas"
(que são aumento dos gânglios linfáticos) nas regiões próximas do local de
contaminação.
A
febre é um dos sintomas mais freqüentes nessa fase da doença, ás vezes o único.
Trata-se de febre baixa e contínua, com duração prolongada (semanas).
O
"mal estar", a falta de apetite, o aceleramento dos batimentos do coração, o
freqüente aumento do fígado e do baço, inchações da face e do corpo inteiro, vão
aparecendo alguns dias após a penetração do gérmen e complementam, em seu
conjunto, o quadro que indica sua disseminação pelo organismo.
Trata-se
da fase "aguda" da doença. É importante notar que o quadro assim descrito é
muito mais comum entre as crianças especialmente as mais jovens (1 a 5 anos). Em
pessoas mais velha, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e a fase
inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma "gripe" ou "mal
estar" passageiro.
A
fase aguda da infecção dura, em geral, algumas semanas, tendendo a febre e os
demais sintomas ao desaparecimento espontâneo. Em certos casos graves, porém,
sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte em face de um ataque intensivo dos
germens aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como o coração e o sistema
nervoso central.
A
descoberta da doença nessa fase inicial é extremamente importante, pois os
recursos de tratamento, hoje disponíveis, podem, inclusive, proporcionar cura
total da infecção, especialmente se o remédio for dado adequado e precocemente .
Por isso médicos, enfermeiros, professores e pais de família devem sempre pensar
em doença de Chagas diante de um caso de pessoa com febre prolongada e os outros
sinais e sintomas mencionados, especialmente nas regiões de barbeiros ou depois
de transfusões de sangue.
EVOLUÇÃO DA DOENÇA
Passada
a fase aguda, o destino do doente vai depender de muitos fatores, dentre os
quais a capacidade de defesa de seu organismo e a intensidade agressora do
gérmen. Com efeito, muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo
toda a sua vida, sem apresentar nenhuma manifestação da doença, embora sejam
portadores (forma "latente" da moléstia). Em outros casos, entretanto, a doença
prossegue ativamente, passada a fase inicial, podendo comprometer muitos setores
do organismo, salientando-se o coração e o aparelho digestivo. Nessa fase, os
tripanosomas são raros no sangue doente, pois escondem-se na intimidade dos
órgãos do corpo, onde causam graves lesões.
ACOMETIMENTO DO CORAÇÃO
O
coração é, sem dúvida, o órgão mais lesado, dada a fatal preferência do
tripanosoma por suas fibras musculares. Baqueando aos poucos, o órgão vai se
dilatando e crescendo, atingindo amiúde dimensões enormes, que lhe merecem a
designação de "coração bovino".
São
comuns, nessa fase avançada, as grandes inchações das pernas e do restante do
corpo, as sensações de "fraqueza" e de "canseiras", as frequentes palpitações,
intensa "falta de ar", etc. Aqui, nem sempre pode o médico fazer muito pelo
paciente... em geral, o "chagásico" vem a apresentar estes sintomas tardios após
os 25 anos de idade, época em que as pessoas estão em vida ativa de trabalho e
constituindo família. Não são raras, infelizmente, as mortes súbitas e
inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios e em pleno vigor de
trabalho. Nesses casos - mais comuns entre homens que entre as mulheres -
acontece que as lesões produzidas pelo Trypanosoma cruzi afetaram
gravemente o sistema nervoso do coração. Isso produz grave desorganização na
maneira do órgão contrair-se para bombear sangue, ficando extremamente
irregulares as batidas do coração. De repente pode parar de bater e o indivíduo
morre inesperadamente.
Felizmente,
grande parte dos chagásicos, mais da metade, não chega a desenvolver formas
graves da doença no coração. São pessoas que poderão passar uma vida
praticamente normal, pois seu organismo foi capaz de entrar em equilíbrio com
Trypanosoma cruzi. Elas podem exercer a maioria das profissões, ter filhos,
etc.
COMPROMETIMENTO DO APARELHO DIGESTIVO
Os comprometimentos digestivos, se traduzem geralmente pelo aumento de calibre
do esôfago ou das porções finais do intestino.
No
primeiro caso resulta um dificuldade progressiva em realizar-se a deglutição,
inicialmente para os alimentos mais duros e secos e depois para qualquer
alimento, mesmo os líquidos. É o que se conhece por "mal de engasgo", "embuchamento"
ou "empazinamento" nas áreas onde grassa a doença. O comprometimento intestinal
geralmente acarreta fortes "prisões de ventre", que podem durar alguns dias,
algumas semanas, ou mesmo dois ou três meses, levando o doente a um intenso
sofrimento por não conseguir evacuar. Ao contrário do que pensam alguns, num
mesmo chagásico podem coexistir dois ou mais órgãos acometidos ao mesmo tempo.
Por exemplo, não são raros os doentes com o coração lesado e que padecem também
do "mal de engasgo".
O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA
Como
saber se um pessoa é chagásica? Pode-se fazer uma suspeita caso a pessoa tenha
tido contato com barbeiros e apresente sintomas já mencionados. Entretanto, para
ter-se uma certeza, exames especiais são necessários, de acordo com a fase da
doença.
Na
fase inicial (aguda) quando há febre e milhões de tripanosomas circulando
pelo sangue, deve-se procurar diretamente o Trypanosoma cruzi numa
gotinha de sangue examinada ao microscópio.
Na
fase tardia (crônica) da doença o número de tripanosomas no sangue está
muitíssimo reduzido e não adianta procurá-los ao microscópio. Lança-se mão, por
isso, de outros métodos, especialmente as chamadas "reações sorológicas". Estas
são provas de laboratório realizadas no soro que se obtém no sangue do doente.
Através de métodos especiais verifica-se a presença , nesse soro, de partículas
que o organismo fabrica contra o Trypanosoma cruzi, denominadas
"anticorpos". Há vários tipos dessas reações, sendo uma das mais conhecidas a de
"Guerreiro e Machado" nome dado em homenagem aos cientistas que a descreveram.
Outras reações como "imonofluorescência" de "hemaglutinação" estão
hoje muito difundidas e podem ser feitas tanto a partir de sangue tirado na
veia, como em pequenas gotas retiradas por picada na ponta do dedo e colhidas em
tiras de papel de filtro.
Um
outro exame, menos usado, utiliza barbeiros sadios criados em laboratórios, que
são postos a sugar o sangue de uma pessoa supostamente portadora da doença. Se
os barbeiros sugarem tripanosomas circulantes nesse sangue, esses germens
multiplicam-se intensamente no interior do inseto e poderão ser encontrados 30 a
60 dias depois, se olharmos as fezes dos barbeiros ao microscópio. Esse exame é
chamado xenodiagnóstico e é usado em situações especiais (principalmente
para pacientes em que a reação sorológica foi "duvidosa", ou para candidatos a
tratamento).
TRATAMENTO DA DOENÇA
Apesar
de muitas pesquisas e de grandes progressos alcançados no estudo da doença de
Chagas, o seu tratamento apresenta, ainda hoje, muitos problemas. Alguns
medicamentos já existem, capazes de matar e destruir o Trypanosoma cruzi,
mormente no período inicial da doença, trazendo esperanças a muitas pessoas
infectadas. Compete ao médico experiente e esclarecido, decidir sobre a
necessidade e a conveniência do tratamento de cada caso, individualmente. Os
cientistas prosseguem pesquisando novos medicamentos contra o terrível
tripanosoma.
Infelizmente,
as lesões do coração e outros órgãos, que já estiveram presentes, como vimos,
são irreversíveis e não serão curados com a eliminação do parasito. Cuidados
médicos especiais deverão ser instituídos frente aos sinais mais graves da
moléstia. Os chagásicos cardíacos deverão evitar grandes esforços e emoções,
comidas muito salgadas e ir periodicamente ao médico. Tônicos cardíacos podem
ser benéficos e há mesmo aparelhos eletrônicos capazes de serem ligados ao
coração e ajudá-lo a regular melhor seus batimentos, em alguns casos.
Para
o "mal de engasgo" e a "prisão de ventre" do chagásico podem ser instituídas
dietas especiais, havendo também operações que corrigem ou atenuam os problemas
do esôfago e do intestino.
PROFILAXIA
Os
princípios básicos da prevenção da doença de Chagas são aqueles que visam cortar
em algum ponto a cadeia de transmissão. A gravidade do mal, suas conseqüências
individuais e sociais, e também as dificuldades de tratamento, trazem à
Profilaxia uma importância capital. É uma longa e árdua tarefa, consubstanciada
nos próprios fatores que envolvem a doença, quais sejam, o aspecto
sócio-econômico, a miséria das populações a ela expostas. A doença incide
justamente, sobre as áreas mais desprotegidas socialmente as rurais, onde o
analfabetismo, a desnutrição, o desinteresse político, a falta de higiene, etc.,
fazem da existência humana imenso sacrifício. Faz-se necessária a par das
medidas específicas e intensa campanha educativa, a tentativa de descobrir para
o infortunado homem do campo, perspectiva mais humana de vida. Pois sabemos
muito bem que a presença do "barbeiro" se prende com intimidade à existência das
"cáfuas" esta rústica habitação tão comum no interior do nosso país. Já afirmava
o próprio Carlos Chagas em memorável trabalho: "Cumpre, antes de tudo, afastar
toda a possibilidade de procriação do inseto nas casas, cujas paredes devem ser
rebocadas e livres de fendas e cujas coberturas devem obedecer a cuidados
visando o mesmo objetivo. Nas zonas infetadas, as casas apenas barreadas
(paredes de sopapo) e cobertas de capim são absolutamente condenáveis, visto
constituírem os grandes focos de barbeiros, que aí encontram condições as mais
propícias de existência".
São,
portanto, essenciais as medidas que visam também a melhoria da habitação rural,
ao lado de outras que tragam ao camponês uma proteção específica contra os
"barbeiros". Esta se realiza, atualmente, por intermédio de poderosos
inseticidas, ditos "de ação residual", por possuirem capacidade de exterminar os
insetos, mesmo muitos dias após terem sido aspergidos. Além do BHC, inseticida
pioneiro e hoje ausente do mercado, empregam-se poderosos inseticidas
denominados "PIRETRÓIDES", de longa ação residual e praticamente destituídos de
toxicidade para o homem e animais domésticos.
A
luta contra os barbeiros vem sendo assumida em nosso País por organismos
governamentais como a SUCAM, a SUCEN e Secretarias Estaduais de Saúde. De modo
geral, essas entidades têm procurado aplicar inseticidas nas áreas mais atacadas
pelos barbeiros, fazendo previamente pesquizas nas casas e coleta de sangue
entre as populações. Várias regiões, entretanto, não foram ainda desinsetizadas
pois a tarefa é muito extensa e nem sempre os recursos são suficientes. Além
disso, depois da aplicação do inseticida, há sempre o perigo de voltarem os
barbeiros, se uma verdadeira "vigilância" não for efetuada contra esses insetos.
Aqui se impõe como extremamente necessária uma conscientização da população
acerca do problema, para que ela mesma participe ou exerça essa vigilância. Não
é difícil que o povo se organize e faça isto com os próprios recursos municipais
e das comunidades. Em algumas regiões de São Paulo e de Minas Gerais, há
exemplos importantes. No município de Bambuí, em Minas, desde 1974, as
professoras rurais vem trabalhando em suas comunidades, alertando e estimulando
as pessoas para que procurem e denunciem a presença de barbeiros em suas casas.
Foi criado na sede municipal uma espécie de posto ligado à Prefeitura, onde um
funcionário recebe e examina insetos capturados pela população.
Quando
se trata de barbeiro, esse funcionário municipal vai à casa que o enviou e ali
aplica inseticida fornecido pela SUCAM, eliminando assim a possibilidade de uma
infestação da casa. Esse trabalho vem sendo acompanhado pela fundação Oswaldo
Cruz, que observou estar o município praticamente livre da transmissão da doença
de Chagas às novas gerações da população. Neste exemplo, é importantíssimo
notar-se a capacidade de liderança das professoras rurais, tão simples, tão
fortes, tão dedicadas e responsáveis. E também a capacidade de resposta do povo
rural, quando se lhe dá participação em um programa que é de seu interesse e que
sintoniza com as coisas concretas de sua vida. Hoje, sistema semelhante vem
sendo usado pela SUCAM em mais de 500 municípios brasileiros.
VACINAÇÃO
Muito
se tem falado sobre uma vacina contra o Trypanosoma cruzi e a doença de
Chagas. Muito cientistas, devotados e de renome, têm dado melhor de seus
esforços para a obtenção de uma vacina eficaz e destituída de efeitos
indesejáveis. Alguns têm tido relativo sucesso e têm surgido possibilidades e
esperanças. São ainda, entretanto, trabalhos preliminares, necessitando-se de
tempo e paciência até que tais vacinas possam ser empregadas na proteção do
homem. Temos que reconhecer que não se dispõe, hoje, de nenhuma vacina para uso
imediato. Por isso mesmo não devem ser diminuidos os trabalhos de combate ao
barbeiro (melhoria de habitação e inseticidas), que terminarão por controlar ou
eliminar a transmissão da doença em nosso meio rural.
TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS
Bastante
importante é a particularidade de que quase sempre os barbeiros evacuam logo
depois de uma refeição: acontece que é nas fezes dos barbeiros contaminados que
virão os tripanosomas, micróbios causadores da Doença de Chagas. Penetrando pelo
próprio local da picada do barbeiro, esses tripanosomas poderão invadir a pessoa
ou animal sugado, e assim ocorrer a transmissão da Doença de Chagas. Todos os
barbeiros nascem livres do micróbio da Doença de Chagas, mesmo que seus pais
estejam infectados. O barbeiro só adquire esse micróbio se sugar uma pessoa ou
animal contaminado. Essa é a razão pela qual encontramos na natureza muitos
barbeiros não infectados, principalmente aqueles que só se alimentam do sangue
das aves, pois essas não albergam o Trypanosoma cruzi.
CICLO EVOLUTIVO-REPRODUÇÃO
Um
barbeiro vive em média de um a dois anos. A fêmea adulta, chegada a época da
postura, coloca 1 a 2 centenas de pequenos ovos. Cada ovo gastará por volta de 4
semanas para abrir-se por uma de sua extremidades, deixando sair uma forma jovem
de barbeiro denominada larva. Ao serem postos os ovos são branco-leitosos,
adquirindo uma cor rósea ou avermelhada na medida em que se aproxima o momento
da eclosão. A pequena larva, após alguns dias, necessitará de alimento e andará
à procura de sangue. Após sua primeira refeição, a larva sofrerá mudanças (em
seu corpo), com perda de sua pele também chamada casca. Este fenômeno
chama-se muda ou ecdise e serve para possibilitar que o inseto
sofra algumas transformações e aumente o seu tamanho, enquanto a nova casca
ainda está mole e flexível. O barbeiro passa ao todo por 5 mudas, até atingir o
estágio adulto. Esse se diferencia dos anteriores pelo seu maior tamanho, pela
presença de asas completas e pelo aparelho sexual totalmente desenvolvido,
portanto apto à procriação. A fêmea adulta diferencia-se do macho pela presença
de uma protuberância em sua extremidade traseira, denominada ovopositor
porque se destina à postura e ovos. Cada macho pode fecundar várias fêmeas.
Através de uma única relação sexual, serão fecundados praticamente todos os ovos
daquela postura.
OUTROS ASPECTOS
De
modo geral a vida do barbeiro é simples e sem grandes exigências. As diversas
espécies podem adaptar-se a diferentes fontes alimentares e variações
ambientais. Os barbeiros podem ser facilmente criados em laboratório, servindo
para inúmeras experiências de Biologia e alguns testes e pesquisas acerca da
doença de Chagas. Entre nós, a maioria dos barbeiros prefere as temperaturas ao
redor dos 28 graus centígrados e ambientes não excessivamente úmidos. Procuram
fugir dos lugares muito iluminados, pois a luz os incomoda. Por isto, no seu
ambiente natural abrigam-se em frestas e lugares escurecidos, saindo à noite
para procurar alimento.
Os
barbeiros são insetos lentos, pouco agressivos e de pequena mobilidade.
Relativamente pesados, caminham o mínimo necessário, para encontrar sua fonte
alimentar e achar seu abrigo. Seu vôo é curto - como diz o povo podendo às vezes
ser vistos à noite voando pesadamente e sem muita orientação, vindo dos matos e
batendo nas paredes das casas. De modo geral, os barbeiros se mudam de ambiente
apenas por falta de comida ou diante de uma ameaça a suas vidas. Mas é comum
serem transportados passivamente nas penas das aves ou pelos animais em cujo
ninho habitavam, ou mesmo, freqüentemente nas mudanças, roupas, tralhas, lenhas
e outros objetos carregados pelo próprio homem.
Os
inimigos naturais dos barbeiros são algumas formigas e abelhas, certos tipos de
hemípteros predadores, galinhas, outras aves e o homem. O micróbio da Doença de
Chagas parece não afetar os barbeiros contaminados.
INSETOS HEMÍPTEROS SEMELHANTES AOS BARBEIROS
É
necessário saber que uma porção de insetos caseiros e do mato são parecedíssimos
com os barbeiros, mas incapazes de albergar o tripanosoma e transmitir a doença
de Chagas. Em geral são hemípteros bastante comuns entre nós, que vivem de sugar
plantas ou devorar outros insetos. Os barbeiros, como sabemos, só se alimentam
de sangue, e por isto sua tromba é bastante especial: fina, longa e reta,
enquanto que os não barbeiros apresentam trombas grosseiras e
arredondadas.
As
características de vida dos barbeiros são importantes de se levar em conta para
o controle da Doença de Chagas. No ciclo dessa moléstia, o barbeiro representa
apenas o papel de vetor intermediário, e somente o seu contato com o homem é que
traz a este - acidentalmente - a doença que afeta e que já dizimou milhares e
milhares de seres humanos.