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IEMANJÁ(Definição - Histórico - Lenda - O Sincretismo -Tudo que se precisa saber sobre Iemanjá)

QUEM É IEMANJÁ?

IEMANJÁ é uma orixá, divindade cultuada no candomblé. Originalmente, é considerada a Deusa do Rio de Ogum, que liga as cidades de Abeokuta e Lagos, na Nigéria, continente africano. Como é uma orixá mulher, sua imagem está associada à água, que é fonte de vida. Sua figura é a da grande mãe, protetora das águas. seu nome significa mãe dos peixes  e é aquela que protege a vida nas águas doces.

Nos cultos africanos, ela é uma mulher gorda, negra, de seios fartos e ventre proeminente, como de uma mulher grávida. É a imagem da fertilidade. A orixá é invocada na hora do parto e para ajudar as doenças de mulher. Sua saudação é ODÔ YÁ que significa "mãe do rio". Suas cores são o azul, o branco e o verde,  e o colar usado por seus filhos é feito de contas transparentes. a comida sagrada do orixá é cabra e galinha e seu dia de devoção é sábado.

A lenda conta que Yemanjá transformou-se em rio para poder ecorrer mais depressa, tentando fugir de seu marido, OKERE, que a maltratava. Ela foi até a casa de seu pai, onde OKERE a encontroue pediu que voltasse para casa. como teve seu pedido negado  OKERE tornou-se numa montanha, para bloquear o caminho da mulher. então IEMANJÁ pediu a ajuda de XANGÔ, o orixá do fogo, raios e trovões. Xangô provocou uma grande chuva, a montanha foi partida em duas partes, abrindo caminho para que Iemanjá passasse.

COMO A ORIXÁ É VISTA PELOS BRASILEIROS?

O culto a Iemanjá foi trazido pelo povo IORUBÁ quando atravessou o oceano para vir ao Brasil, no período da escravidão, ainda no século XVI. a crença do orixá ganhou força, principalmente, entre os negros que sobreviviam como pescadores no litoral brasileiro. Ela deixou de ser a rainha da água doce, para reinar nas águas salgadas. com o passar do tempo, porém, sua imagem foi recebendo influência de outros povos, que também criavam lendas sobre a mãe das águas. a figura de Iemanjá, então, misturou-se à da IARA, cultuada pelos Índios, e a da sereia, crença dos navegadores europeus.

Por ter sofrido tantas misturas, ela é a orixá mais brasileira, no entanto, tornou-se muito diferente da orixá cultuada pelos africanos. tanto no que diz respeito à sua imagem, quanto ao seu caráter. De negra, gorda e de seios grandes, ela transformou-se numa moça branca, loira e esbelta. a imagem de grande mãe, símbolo de fertilidade, deu lugar a de mulher voluptuosa e extremamente vaidosa, ícone da beleza.

POR QUE ELA É TÃO POPULAR?

A popularidade da orixá pode ser atribuída ao fato de ela ser uma divindade feminina. a tradição católica cristã bloqueou o culto da forma feminina. O Deus é a imagem de um homem, e há uma centralização da figura masculiona. O povo, portanto, é naturalmente atraído pelo poder de uma mulher que é vista como mãe de todos. existe o mesmo racismo pela divindade traduzida em forma de mulher.

QUAL A RELAÇÃO DE IEMANJÁ COM OS PESCADORES?

Iemanjá, vista como rainha do mar, mãe dos peixes, é a orixá mais próxima dos pescadores. Ela é uma espécie de padroeira de todos eles. É ela quem dá proteção para suas incursões marítimas, para que fiquem livres de todos os perigos. Essa proteção é pedida antes de entrar no mar. as mulheres dos pescadores também rogam pela vida de seus maridos, pedindo para que o orixá não os leve para o reino das águas.

É a Iemanjá que eles devem agradecer pelos frutos da pesca, pois é a orixá quem dá os frutos do mar que os pescadores querem. além da grande festa de 2 de fevereiro, muitos fazem oferendas constantes à rainha domar. Se a pescaria não foi boa, os pescadores fazem oferendas a Iemanjá. pois só ela pode dar-lhes mais peixes.

COMO A FESTA DE IEMANJÁ COMEÇOU ?

Inicialmente, a festa era para homenagear a mãe d'água e começou em meados da década de 20, no século passado. Desde o início, os pescadores juntaram-se para pedir proteção e fartura de peixe nas águas. é contado que a devoção começou em um ano fraco de pescaria, quando os pescadores pediram a ajuda de uma mãe-de-santo. O grupo aprendeu a realizar o preceito que agradava a rainha do mar.

O culto passou a fazer parte do ciclo de festas tradicionais do Rio Vermelho, que era mais voltada para os pescadores e a comunidade do bairro. a partir da década de 60, a homenagem passou a ser conhecida como FESTA DE IEMANJÁ e foi ganhando a popularidade que tem hoje. Houve incentivo do governo, pois a valorização da cultura africana era um atrativo para turistas.

Não há uma explicação definitiva para a data da festa, apenas algumas especulações. O 2 de fevereiro é também dia de Nossa Senhora das Candeias, santa católica, que no sincretismo religioso está associada a Iemanjá.

QUAL O SIGNIFICADO RELIGIOSO DA COMEMORAÇÃO?

A festa de Iemanjá é organizada pelos pescadores e tem seu significado religioso na devoção desse grupo. Para o candomblé, o evento de 2 de fevereiro não é tão representativo,pois os orixás não têm dias comemorativos como os santos católicos, porém todos os seus adeptos que participam dos festejos. Na verdade, como já foi dito, no candomblé, os orixás não tem dias comemorativos e, por isso, cada terreiro escolhe o dia para cultuar o orixá, por meio de um ciclo de festas, que não tem datas preestabelecidas.

COMO É O RITUAL DA FESTA?

Pescadores, visitantes e a população da cidade reúnem-se para homenagear a rainha do mar. A CASA DO PESO(onde se pesa o pescado e guarda o material de pesca) serve de local para reunir os presentes dos devotos. Em cestas de palha são arrumados pentes, sabonetes, perfumes, jóias, flores, espelhos e uma infinidade de oferendas para Iemanjá.

À tarde, os presentes são levados por um cortejo de barcos e depositados no mar.

O presente mais importante é aquele ofertado pelos pescadores da Colônia do Rio Vermelho. Esse permanece em segredo até o dia da festa.

Enquanto a procissão marítima se afasta, as mulheres rezam pedindo que a orixá aceite as oferendas e deixe vivos e em paz os pescadores, trazendo grande fartura para todos.

QUAL A RAZÃO DOS PRESENTES?

A oferenda (EBÓ) ao orixá é um ritual típico no candomblé. Ofertar presentes que agradem ao orixá é uma forma de pedir proteção e agradecer a ele. é meio para se manter a relação com o orixá de devoção. No caso de Iemanjá, as pessoas oferecem a ela objetos que conbinem com o seu caráter de mulher vaidosa, que gosta de coisas que a fazem sentir adorada e a deixem mais bonita. Por isso são dados espelhos, pentes, jóias, flores.

Reza a lenda que se o presente ofertado voltar à praia é porque foi rejeitado por Iemanjá. A oferenda não a deixou contente. Nesse caso, o pedido que foi feito não será atendido pela rainha do mar. Sendo Iemanjá a grande mãe, a ela podem ser feitos todos os pedidos que se faz a uma mãe. Não há qualquer tipo de restrição.

(Publicação do Jornal A TARDE, de 31 Jan 2003 - Créditos dados pelo Jornal à Ieda Machado-Bibliotecária, Ordep Serra-Antropólogo,  e Cid Teixeira-Historiador)